180
Performance Audiovisual

Pensar dança e paisagem urbana, é uma das motivações do Grupo MEIO que segue criando na/para a cidade de São Paulo, como forma de fazer valer perguntas simples e, no entanto, extremamente valiosas, como: Como cada pessoa percebe essa cidade? Como a dança se faz contemporânea dos/das/des habitantes e visitantes de sua cidade? Teríamos nós a possibilidade de criar obras cujo próprio fazer coreográfico seja ao mesmo tempo do grupo e de mais gente? Seria possível ainda pensar em modos de existir não hegemônicos na capital paulista por meio da dança? Para tal, o grupo tem se debruçado nos últimos anos acerca do pensar/fazer intervenção urbana, a fim de aprender com cada lugar que dançamos, dialogar com as qualidades desse lugar e reconhecer que cada pessoa que aqui está, faz-se “corpo-paisagem são paulo” de forma única. Sendo assim, a intervenção feita pelo grupo não é feita para “quebrar o cotidiano”, mas sim fazer uma dança que não se destaca do espaço público, mas talvez brote dele e o questione. Talvez crie uma pausa, faça lembrar algo invisível, e em suma mova e seja movido por ele.

É a partir dessas questões, que o grupo MEIO desenvolveu o projeto “Corpos-paisagens: corpos que atravessam os fluxos da cidade”, com diversas ações performativas, formativas e de investigação em dança, cujo público seria toda e qualquer pessoa que se interessasse por estudar urbe e dança. E entendendo que a cidade, tal qual todo o mundo, por estar vivendo um momento atravessado pela pandemia da Covid-19, estaria vivendo um momento muito agudo, pois sua própria identidade enquanto uma das cidades mais populosas do mundo e conhecida pelo seu fluxo financeiro, de mercadorias e pessoas, teria todo seu modo de existir abalado, o grupo também refletiu acerca do que seria uma intervenção urbana hoje. Também levando em consideração a importância de estar em um projeto financiado por dinheiro municipal e sabendo da crise econômica que acometeu a todes que vivem de eventos culturais, primeiras ações a serem canceladas pelo caráter perigoso, agora não só pelo cunho político e social que as manifestações culturais promovem, mas pelo simples fato de gerar aglomerações, foi uma decisão do grupo não só remodelar a ideia de intervenção como também financiar artistas de várias regiões para que pudessem estar com o grupo e contar com apoio financeiro.   

 

Para tal, o Grupo MEIO escolheu por ampliar a ideia de uma de suas criações, o trabalho de intervenção urbana chamado ‘180’ propondo a sua realização em formato audiovisual em diferentes pontos da cidade, contemplando territórios diversos e dialogando com cada artista selicionade/a/o para co-criar com o Grupo MEIO e a artista convidada Nina Giovelli, o seu próprio ‘180’, a partir da ideia do que se pode ser revelado da sua casa e do entorno, como um olhar sobre/do espaço público, sendo este ponto de vista perpassado por urgências desse território, inclusive podendo este ser um território sonoro, visual, virtual, de evocação de memórias, embates políticos, identitários, raciais, de gênero, cosmovisões, especulação imobiliária, etc. .Sendo assim, no fim de Junho o grupo abriu um chamamento para artistas que habitam diferentes regiões de São Paulo - e priorizou também outras regiões do Brasil, já que seria uma oportunidade única também ao grupo de abarcar territórios fora da cidade de São Paulo, já que as dinâmicas seriam via online. Foram selecionades 20 artistas que compartilharam suas presenças e experiências durante 2 semanas de residência e co-criação, e que resultou na criação de 20 performances audiovisuais baseadas na intervenção ‘180’.