Aldir Blanc

Como um grupo de dança contemporânea, o grupo MEIO reúne desejos de jovens artistas em construir pontes entre obra de arte e seu público, num exercício contínuo de diminuir as distâncias entre o fazer da dança cênica e as ruas, entre a arte e a vida cotidiana. Pensando que o que caracteriza uma cidade em sua potência é a possibilidade desta estar pulsando vida artística e cultural, possibilitando aos seus habitantes a troca de conhecimentos, experiências e costumes, para o grupo é fundamental que cada vez mais a dança contemporânea seja uma experiência do dia a dia de cada pessoa, não sendo privilégio dos que trabalham na área ter acesso a essa produção. 

 

Com o surgimento de uma pandemia, que impôs novas formas de habitar a cidade e uma limitação do fazer artístico, o grupo passou a refletir em como proporcionar essa mesma experiência que vem realizando nos últimos anos, agora em segurança em suas casas com aulas e encontros virtuais, mas ainda de forma crítica e atenta à quem acessa essas proposições. Foi através da Lei Aldir Blanc - Editais do munícipio de São Paulo - MÓDULO I - Maria Alice Vergueiro que foi possível seguir com a pesquisa continuada em dança que o grupo vinha até então desenvolvendo, resultando na fala pública Noções de Coreografia e Dança Enquanto Campo Expandido com Bruno Levorin e Maitê Lacerda, e nas atividades artísticos-pedagógicas LAB Parque das Matérias com Grupo MEIO e LAB Matéria Fluída com a artista colaboradora Nina Giovelli.

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Fala pública “Noções de Coreografia e Dança Enquanto Campo Expandido”

Realizado no dia 18/01/2021 às 19h

Como fomos coreografados até aqui? Pensar e fazer arte no contexto latino americano, em um país que se vangloria da miscigenação, mas que se recusa a assumir seu papel de repensar suas tradições e hábitos colonizadores, segregacionistas e norte referenciados, apresenta como um desafio ético o repensar hábitos nocivos nas artes. Será que o processo criativo em pleno 2021 não carrega também a história da dança nestes termos que não gostaríamos mais de repetir? O que chamamos de coreografia e campo expandido na arte está à serviço de que?

 

Para essa conversa, Bruno Levorin aponta duas perguntas em diálogo, trazidas do index do livro de Bruno Latour: ‘Imaginar gestos que barrem o retorno da produção pré-crise’ e ‘Aqui quem fala é da Terra’ conectando ambas as perguntas como um mote de discussão acerca da ideia de expansão numa abordagem das ciências sociais, levando a discutir o impacto desse termo e ideia no campo das artes.

 

Maitê Lacerda, parte da sua pesquisa empírica e teórica, baseando-se no período em que fazia a formação em dança na UNICAMP, a qual pesquisava danças feitas fora da caixa preta, tendo feito diversas experimentações com seu grupo à época, chamado TRANSEUNTES, mas também apoia-se na sua dissertação de mestrado, para fazer uma crítica atualizada acerca da dança enquanto campo expandido.

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LAB PARQUE DAS MATÉRIAS

De 19 a 23 de abril de 2021 - 10h às 13h

LAB PARQUE DAS MATÉRIAS é um laboratório em que o grupo MEIO propõe um espaço de experimentação dos materiais cenográficos-figurinos até então utilizados nas pesquisas do grupo, no intuito de compartilhar saberes acerca de uma criação em dança intimamente ligada às matérias, podendo ser objetos, imagens ou texturas. Quando tais matérias são acopladas, podem se tornar máscaras ou mesmo um “exoesqueleto”, transformando completamente o que se conhece da anatomia humana. Essa mudança ocorre não somente na percepção do corpo de quem o veste, modificando modos de mover-se, perceber-se e sentir a si mesmo, mas também ocorre na percepção do seu entorno, uma vez que se tornam corpos-paisagens surreais, criando abstrações e contrastes de cor.

LAB Matéria Fluida

27 de abril a 20 de maio de 2021 - Terças e quintas das 10h às 12h

Matéria fluida é uma série de oito Lab-Aulas compostas por estudos e práticas de percepção e movimento a partir do Sistema Fluido do corpo, articuladas à reflexões e à partilha de interesses, questões e materiais artísticos dos participantes. O laboratório MATÉRIA FLUIDA é um espaço de criação partilhada, um convite para o encontro e para a mistura de interesses e pesquisas individuais; vamos criar uma zona de irrigação, como quem mistura líquidos diferentes e percebe o potencial de transformação nessa confluência.

Os encontros se dividem entre propostas de movimento e de (auto)toque, para explorar os líquidos do corpo acionados por meio de práticas do Body Mind Movement* e também em momentos de mistura e troca, para irrigar e transformar os materiais cada um; buscaremos entrar em contato com as características mutantes desses fluidos e trazer as suas qualidades de fluxo, transformação e comunicação para a experiência.

 

Esse laboratório é destinado a qualquer pessoa interessada em pensar em modos de criar por meio da dança, é destinado a todes que quiserem misturar, conviver, somar, duvidar, refletir, mudar de caminho, experimentar, reformular, desviar, (des)organizar, inventar juntes.

 

*método de educação somática que podemos traduzir como: "corpo, mente e movimento”