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Escrever sobre a pesquisa de um grupo artístico é plasmar uma argila que está em constante transformação, hidratação, molde e queima. No entanto, há algo que se ganha nesse exercício constante de fazer a modelação em criação artística, tal qual qualquer outra ação feita entre o céu e a terra, que é: ao reparar o constante fluxo e movimento das coisas, pode-se perceber que ao mesmo tempo que há um tanto que se modifica, algumas coisas se fortalecem pelo próprio fluxo de movimento. E por isso, ficam. Crescem. Se estabelecem. Engrossam. Firmam-se.

 

Agora, a um grupo de dança, que estuda o movimento, não somente dos corpos humanos, mas de todos os corpos viventes - árvores, fluxos de carro numa avenida, pontos nodais de uma cidade com cruzamento de pessoas numa esquina comercial, o movimento de uma sombra na parede, entre outras danças de todos os dias - ficam as perguntas: 

 

O que nós queremos engrossar na nossa dança? 

Quais são os gestos que queremos suscitar para começar um enraizamento? 

Do que as nossas danças são feitas? 

E as forças que as movem, delas todas, quais queremos dar vazão e continuar? 

E quais preferimos não repetir, para não firmar demais naquilo que já não nos nutre?  

 

Ao fazer-se grupo em criações, aulas, residências, encontros online e escritas em papel e caracteres, o grupo faz revelar a mais óbvia das brincadeiras com o seu próprio nome: o meio é caminho. Não tratando meio como quem mede em uma régua a equidistância entre um ponto e outro, mas talvez pensando na palavra meio como algo que diz muito sobre este grupo que se auto denominou assim. Meio é possibilidade de fazer qualquer coisa que quisermos, desde que conversando ética e esteticamente com cada situação-criação escolhida a ser investigada. Talvez fluir, levantar críticas e com elas, quem sabe, trilhar um caminho que não seja único. Seja multi.  

 

Meio é olhar para onde vivemos, como nos movemos, qual o jogo de corpo nos é dado, quais as qualidades que gostaríamos de relembrar, pois foram injustamente enclausuradas em nossos corpos, quais lugares podem ganhar mais a nossa atenção. O que pode vir a ser a dança contemporânea senão as nossas angústias, nossas revoltas, nossas redescobertas, retomadas e reviravoltas? Por isso, chamamos tudo isso de fazer uma dança da/para cidade como meio, como chão para outros modos de viver.   

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